Jul 1, 2009
Base comportamental para o design?
Antes de começarmos a falar em Design Interativo é preciso entender vários outros conceitos. Um deles — ao meu ver um dos fundamentais — é o conceito de Personal Space cunhado por Robert Sommer.
Este conceito surgiu a partir de pesquisas feitas em áreas que incluem sociologia, comunicação, psicologia, percepção, estudos criminais, educação, comportamento animal, arquitetura e planejamento urbano. Mas o que mais influenciou Sommer na definição deste conceito foi a observação de como os seres humanos se comportam próximos a outros seres humanos.
Sommer pode identificar que o homem moderno ainda mantém características como as de habitar e proteger o seu espaço como o fazem os animais e membros de tribos territoriais.
O livro de Sommer está cheio de termos antropológicos e de comportamento animal, tais como: atacar, defender, invadir e vítima. Uma passagem do livro descreve estes comportamentos inatos: “Existe uma grande diferença na maneira como as “vítimas” reagem quando alguém senta próximo a elas: existem gestos defensivos, mudanças de postura e até mesmo tentavivas de se afastar.”
Todas as pessoas constroem, criam, modelam e dão forma ao ambiente; nós somos o ambiente
Muitas pessoas tem uma noção básica do que seria este Personal Space, mas poucos chegam ao ponto de entender o que Sommer identificou com este termo: “Todas as pessoas constroem, criam, modelam e dão forma ao ambiente; nós somos o ambiente.” É nesta conotação que se encontra o potencial da visão de Sommer para o Design.
Empresas como a IDEO não teriam o mesmo perfil de serviços não fosse pela aplicação do conceito de Personal Space (Jane Fulton Suri — Creative Director da IDEO teve acesso aos estudos de Sommer quando tinha apenas 19 anos nos anos 60). A abordagem “human-centered” da IDEO é derivada da observação das metodologias de Sommer.
Uma questão aparentemente óbvia que surge é em relação à longevidade do trabalho de Sommer, mesmo nos dias atuais. Esta questão, no entanto, pode ser facilmente entendina quando percebemos que os espaços físicos não mudaram muito, mas pelo contrário tiveram seu significado aumentado com a adição dos conceitos de espaços digitais.
Sommer recentemente falou sobre esta explosão dos espaços digitais: “As maiores mudanças na distância interpessoal que ocorreu nos últimos 40 anos são o resultado da era digital… em ambientes públicos e mesmo em ambientes privados, você não pode evitar pessoas com celulares […] ou enviando mensagens de texto para pessoas distantes”.
Sommer lançou um desafio aos pensadores do design da atualidade: “Eu acredito que o estudo dos espaços interpessoais na era digital seja muito importante e deveria ser objeto de um estudo sistemático.”
O momento atual é muito propício para a reintrodução das idéias de Robert Sommer. Pense nas abordagens cada vez mais intrincadas para interfaces e experiências de design. Estudos recentes sobre percepção, por exemplo, descobriram que ouvir música usando fones de ouvido altera o nosso senso de relações socioespaciais. Precisamos pesquisar e analizar com mais objetividade o modo como percebemos nossas zonas interpessoais no mundo digital. Deste estudo depende nossa capacidade de projetar algo com design realmente interativo.
No comments
Trackbacks/Pingbacks