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O GPS biológico

O GPS biológico

Nov 22, 2007

Usa­mos estra­té­gias bási­cas para nos ori­en­tar no espaço… e nos sites.

Quando o assunto é nave­ga­bi­li­dade, exis­tem mui­tas teo­rias sobre o que é certo e o que é errado. Mas antes de tomar­mos deci­sões rela­ti­vas à nave­ga­bi­li­dade em inter­fa­ces digi­tais é impor­tante enten­der como nosso cére­bro fun­ci­ona quando o assunto é loca­li­za­ção espacial.

O ser humano pos­sui a habi­li­dade de se situar no espaço. Ela fun­ci­ona como um loca­li­za­dor bio­ló­gico ? um GPS (Glo­bal Posi­ti­o­ning Sys­tem) ? mas com uma van­ta­gem fun­da­men­tal: nossa habi­li­dade não deixa de fun­ci­o­nar caso parte do sis­tema de dire­ci­o­na­mento falhe, por tra­ba­lhar de manei­ras variadas.

Nós pos­suí­mos um com­plexo sis­tema cog­ni­tivo que uti­liza três estra­té­gias bási­cas para nos ori­en­tar no espaço: ori­en­ta­ção, inte­gra­ção do tra­jeto e acom­pa­nha­mento de rota. Elas podem ser usa­das ao mesmo tempo ou não.

Nós pos­suí­mos um com­plexo sis­tema cog­ni­tivo com estra­té­gias bási­cas para nos ori­en­tar no espaço.

?Olhe para lá. Você vê aquele pré­dio cinza com jane­las azuis? Siga naquela dire­ção, o Cor­reio fica no tér­reo?. Segundo os neu­ro­lo­gis­tas, ?ori­en­ta­ção? é a estra­té­gia onde uma pes­soa se guia por um ponto de refe­rên­cia chamativo.

?Por onde você se lem­bra de ter pas­sado? Então volte até a pada­ria e depois dobre à direita. Ande dois quar­tei­rões até o Cor­reio.? Na estra­té­gia cha­mada ?inte­gra­ção do tra­jeto?, o cére­bro recom­põe os tre­chos indi­vi­du­ais do cami­nho em um relato de pro­gresso cumu­la­tivo que leva em conta a lem­brança dos nos­sos pró­prios movimentos.

Na inte­gra­ção do tra­jeto a memó­ria cog­ni­tiva é menos soli­ci­tada. Ela lida com ape­nas algu­mas ins­tru­ções gerais e com o cha­mado vetor de dire­ci­o­na­mento. A inte­gra­ção do tra­jeto fun­ci­ona por­que se baseia fun­da­men­tal­mente no conhe­ci­mento da dire­ção geral de movimento.

?Siga em frente pela Ala­meda San­tos, vire à esquerda na Rua Pei­xoto Gomide, então à direita na Ave­nida Pau­lista e vá até o meio do quar­tei­rão.? Esta estra­té­gia, cha­mada de ?acom­pa­nha­mento de rota?, usa refe­rên­cias como pré­dios e nomes de ruas, além de ins­tru­ções para atin­gir pon­tos intermediários.

É muito mais pre­cisa que a ori­en­ta­ção ou a inte­gra­ção do tra­jeto, mas no acom­pa­nha­mento de rota qual­quer deta­lhe que você esqueça pode fazer com que você tenha pro­ble­mas para che­gar ao seu des­tino. É pre­ciso man­ter em mente todos os pon­tos de refe­rên­cia e dire­ções inter­me­diá­rias. É o modo mais deta­lhado e, por isto, o mais con­fiá­vel, mas pode falhar em decor­rên­cia de lap­sos de memó­ria roti­nei­ros. O acom­pa­nha­mento de rota real­mente desa­fia o cérebro.

Estas três estra­té­gias bási­cas do nosso sis­tema cog­ni­tivo tam­bém são uti­li­za­das em ambi­en­tes vir­tu­ais. À medida que você se movi­menta (navega) por um web­site ou inter­face grá­fica, o cére­bro coleta infor­ma­ções sobre este ambi­ente ? cores, for­mas, sons, lumi­no­si­dade, movi­men­tos, sen­sa­ção de pas­sa­gem do tempo, etc ? para deter­mi­nar o cami­nho percorrido.

A parte de nosso cére­bro que con­trola o dire­ci­o­na­mento é cha­mada por neu­ro­bió­lo­gos de ?mapa cog­ni­tivo?. Mas este mapa é basi­ca­mente meta­fó­rico e se parece mais com uma estru­tura hie­rár­quica de rela­ções, onde as posi­ções e dis­tân­cias são rela­ti­vas, do que com um mapa de ver­dade. Isto por­que temos a ten­dên­cia de memo­ri­zar ape­nas o que é necessário.

Os mapas cog­ni­ti­vos que usa­mos são pare­ci­dos com um grá­fico, um con­junto de pon­tos e cone­xões ? como um mapa de linhas de metrô. Os pon­tos repre­sen­tam as dife­ren­tes refe­rên­cias e as linhas entre eles cor­res­pon­dem a ações que nos levam de um ponto ao seguinte. Como em um mapa de metrô, as dis­tân­cias exa­tas e os ângu­los pre­ci­sos são des­ne­ces­sá­rios. O nosso mapa men­tal faz ape­nas uma apro­xi­ma­ção das pro­por­ções entre tre­chos indi­vi­du­ais e das dire­ções e mos­tra os pon­tos de acordo com a rela­ção entre eles.

Para a boa nave­ga­bi­li­dade de um web­site o fun­da­men­tal é ter dis­po­ní­veis várias for­mas de loca­li­za­ção ? bar­ras de nave­ga­ção, menus, bre­ad­crumbs, mapa do site, links des­cri­ti­vos, etc – e dei­xar que o pró­prio usuá­rio esco­lha a estra­té­gia que irá usar quando criar seu mapa mental.

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