20/03/2009

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O computador vai desaparecer

O computador vai desaparecer

Algum tempo atrás pude assis­tir a uma pales­tra muito boa e até certo ponto visi­o­ná­ria do Michel Lent Schwartz­man.

Em sua pales­tra Michel Lent falava sobre algo novo e assus­ta­dor para todos da pla­téia, com­posta em sua mai­o­ria por pes­soas do mundo do design para a web. Ele falava sobre o fim da web, ou o fim da web como é conhe­cida hoje em dia.

Sem dúvida aquilo me assus­tou de iní­cio, mas além de me assus­tar me dei­xou intri­gado o que me fez pes­qui­sar mais a res­peito. Depois de ler muito, che­guei a uma con­clu­são que por si só pode­ria ser mais assus­ta­dora ainda.

Aca­bei des­co­brindo que a coisa toda é muito mais séria e vai mais longe do que ima­gi­nava. Hoje tenho a con­vic­ção de que não só a web, mas tam­bém os com­pu­ta­do­res e a pró­pria tec­no­lo­gia podem e devem desa­pa­re­cer do nosso mundo!

Mas, por incrí­vel que pareça, esta afir­ma­ção tão pro­fé­tica quanto a famosa frase “o ser­tão vai virar mar e o mar vai virar ser­tão” de Antô­nio Con­se­lheiro, não saiu da cabeça de nenhum luná­tico pre­vendo o final dos tempos.

Lendo um texto de Mark Wei­ser (1952 – 1999), chief tech­no­lo­gist da Xerox, des­co­bri que ele era um dos que já ante­via o futuro da tec­no­lo­gia (e com ela do com­pu­ta­dor e da pró­pria web) den­tro deste novo paradigma:

“As tec­no­lo­gias mais pro­fun­das e dura­dou­ras são aque­las que desa­pa­re­cem. Elas se mes­clam entre o tecido da vida coti­di­ana até tornarem-se indis­so­ciá­veis do mesmo”

Parece um para­doxo, mas em breve esta será a rea­li­dade: a velo­ci­dade com que o com­pu­ta­dor como o conhe­ce­mos hoje desa­pa­rece será a mesma com a qual a tec­no­lo­gia da infor­ma­ção irá envol­ver tudo que nos cerca e irá deter­mi­nar ainda mais o modo como vivemos.

Antes que você comece a se alar­mar, deixe que eu escla­reça uma coisa.

Não esta­mos pres­tes a entrar numa era das tre­vas. Na ver­dade o com­pu­ta­dor, a web e a tec­no­lo­gia não irão desa­pa­re­cer. O que vai acon­te­cer na rea­li­dade é que eles irão se tor­nar tão imper­cep­tí­veis aos seus usuá­rios que será como se tives­sem dei­xado de existir.

Estes três farão parte das nos­sas vidas assim como o ar que res­pi­ra­mos. Nin­guém pre­cisa saber sepa­rar o oxi­gê­nio dos outros gases para res­pi­rar, faze­mos isto de uma forma imper­cep­tí­vel, a tal ponto que até nos esque­ce­mos que esta­mos fazendo.

Esta carac­te­rís­tica nos força neces­sa­ri­a­mente a uma revi­são da inte­ra­ção entre homem e tec­no­lo­gia que temos hoje e cria a pos­si­bi­li­dade e res­pon­sa­bi­li­dade de ima­gi­nar­mos e tra­ba­lhar­mos um design muito mais focado na expe­ri­ên­cia do usuário.

É para este novo cená­rio que os web desig­ners, ou melhor, inter­face desig­ners, devem se preparar.

Tere­mos neces­sa­ri­a­mente que come­çar a pro­je­tar este design base­ado na expe­ri­ên­cia do usuá­rio levando em conta todos os aspec­tos da per­cep­ção humana. Para per­cep­ções dire­tas tere­mos de usar os sen­ti­dos da visão, audi­ção, toque, cheiro, assim como o equi­lí­brio. Já as expe­ri­ên­cias indi­re­tas podem ser mais com­ple­xas, nelas nós dis­tin­gui­mos dife­ren­ças entre coi­sas “invi­sí­veis” como expe­ri­ên­cias sociais.

O design base­ado em expe­ri­ên­cias não se baseia ape­nas nos obje­tos, mas em um con­junto que envolve as pes­soas, obje­tos, situ­a­ções e as rela­ções entre eles.

O com­pu­ta­dor, a web e a tec­no­lo­gia vão desa­pa­re­cer sim, mas se nós sou­ber­mos nos adap­tar a esta nova rea­li­dade, nós não cor­re­mos o risco de sumir­mos do mapa!

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  1. Há algum tempo tive uma con­versa seme­lhante com um amigo. No caso, usei o exem­plo do Reló­gio. Supo­nho que quando foi lan­çado o reló­gio de pulso, era uma ‘sen­sa­ção’. As pes­soas podiam ver as horas em seu pró­prio braço, usar cronô­me­tro e todas as para­fer­ná­lias exis­ten­tes nesse objeto.

    Eles pen­sa­vam: “Vou aces­sar meu reló­gio e ver as horas”. É como acon­tece hoje com a internet.

    Hoje para ver as horas no reló­gio, você nem ‘pensa’ em aces­sar algo. É algo que já está ligado ‘ao corpo humano’.

    Acre­dito tam­bém que isso irá ocor­rer com a web. Você não vai mais pen­sar em ‘aces­sar’ inter­net, se pre­o­cu­par se sua cone­xão é ADSL, etc. Você sim­ples­mente vai atrás da infor­ma­ção que deseja, como se essa tec­no­lo­gia fosse uma fer­ra­menta em exten­são do corpo.

    Ótimo artigo, um abraço!

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