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O computador vai desaparecer
Algum tempo atrás pude assistir a uma palestra muito boa e até certo ponto visionária do Michel Lent Schwartzman.
Em sua palestra Michel Lent falava sobre algo novo e assustador para todos da platéia, composta em sua maioria por pessoas do mundo do design para a web. Ele falava sobre o fim da web, ou o fim da web como é conhecida hoje em dia.
Sem dúvida aquilo me assustou de início, mas além de me assustar me deixou intrigado o que me fez pesquisar mais a respeito. Depois de ler muito, cheguei a uma conclusão que por si só poderia ser mais assustadora ainda.
Acabei descobrindo que a coisa toda é muito mais séria e vai mais longe do que imaginava. Hoje tenho a convicção de que não só a web, mas também os computadores e a própria tecnologia podem e devem desaparecer do nosso mundo!
Mas, por incrível que pareça, esta afirmação tão profética quanto a famosa frase “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” de Antônio Conselheiro, não saiu da cabeça de nenhum lunático prevendo o final dos tempos.
Lendo um texto de Mark Weiser (1952 – 1999), chief technologist da Xerox, descobri que ele era um dos que já antevia o futuro da tecnologia (e com ela do computador e da própria web) dentro deste novo paradigma:
“As tecnologias mais profundas e duradouras são aquelas que desaparecem. Elas se mesclam entre o tecido da vida cotidiana até tornarem-se indissociáveis do mesmo”
Parece um paradoxo, mas em breve esta será a realidade: a velocidade com que o computador como o conhecemos hoje desaparece será a mesma com a qual a tecnologia da informação irá envolver tudo que nos cerca e irá determinar ainda mais o modo como vivemos.
Antes que você comece a se alarmar, deixe que eu esclareça uma coisa.
Não estamos prestes a entrar numa era das trevas. Na verdade o computador, a web e a tecnologia não irão desaparecer. O que vai acontecer na realidade é que eles irão se tornar tão imperceptíveis aos seus usuários que será como se tivessem deixado de existir.
Estes três farão parte das nossas vidas assim como o ar que respiramos. Ninguém precisa saber separar o oxigênio dos outros gases para respirar, fazemos isto de uma forma imperceptível, a tal ponto que até nos esquecemos que estamos fazendo.
Esta característica nos força necessariamente a uma revisão da interação entre homem e tecnologia que temos hoje e cria a possibilidade e responsabilidade de imaginarmos e trabalharmos um design muito mais focado na experiência do usuário.
É para este novo cenário que os web designers, ou melhor, interface designers, devem se preparar.
Teremos necessariamente que começar a projetar este design baseado na experiência do usuário levando em conta todos os aspectos da percepção humana. Para percepções diretas teremos de usar os sentidos da visão, audição, toque, cheiro, assim como o equilíbrio. Já as experiências indiretas podem ser mais complexas, nelas nós distinguimos diferenças entre coisas “invisíveis” como experiências sociais.
O design baseado em experiências não se baseia apenas nos objetos, mas em um conjunto que envolve as pessoas, objetos, situações e as relações entre eles.
O computador, a web e a tecnologia vão desaparecer sim, mas se nós soubermos nos adaptar a esta nova realidade, nós não corremos o risco de sumirmos do mapa!
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Há algum tempo tive uma conversa semelhante com um amigo. No caso, usei o exemplo do Relógio. Suponho que quando foi lançado o relógio de pulso, era uma ‘sensação’. As pessoas podiam ver as horas em seu próprio braço, usar cronômetro e todas as parafernálias existentes nesse objeto.
Eles pensavam: “Vou acessar meu relógio e ver as horas”. É como acontece hoje com a internet.
Hoje para ver as horas no relógio, você nem ‘pensa’ em acessar algo. É algo que já está ligado ‘ao corpo humano’.
Acredito também que isso irá ocorrer com a web. Você não vai mais pensar em ‘acessar’ internet, se preocupar se sua conexão é ADSL, etc. Você simplesmente vai atrás da informação que deseja, como se essa tecnologia fosse uma ferramenta em extensão do corpo.
Ótimo artigo, um abraço!