O designer já não trabalha mais sozinho
Agora ele precisa lidar com planejamento, equipes interdisciplinares e ganhar versatilidade para trafegar por outras áreas de atuação.
Os desafios enfrentados pelo design no dia – a – dia estão mudando. Até ontem os designers tratavam apenas de problemas simples e quase sempre da sua área. Hoje, cada vez mais, precisam concentrar todos seus esforços em grandes e complexos problemas a serem resolvidos e trabalhados em equipes interdisciplinares.
Processos lineares em que cada equipe é responsável por apenas uma etapa do projeto deixam de existir.
O trabalho de criação também está mudando. Processos lineares em que cada equipe é responsável por apenas uma etapa do projeto deixam de existir. Hoje os projetos são desenvolvidos em paralelo e a criação é feita simultaneamente, o que exige um grau de preparação e planejamento maior.
Mas para que esta mudança aconteça, os requisitos exigidos de cada profissional também estão mudando. Trabalhar sozinho ou em uma equipe da mesma área de atuação era algo normal. A realidade hoje exige um trabalho envolvendo equipes das mais variadas áreas, profissionais trabalhando remotamente, com diferentes idiomas, em diferentes empresas e grupos envolvidos no processo com níveis de responsabilidade diferenciados.
Essas mudanças exigiram dos profissionais novas habilidades de liderança. No entanto, podemos notar que enquanto os profissionais de outras áreas buscaram se adaptar a esta mudança, os designers não!
Mas como dar aos designers habilidades de liderança de equipes?
Vamos começar pela comparação de alguns aspectos do design tradicional com o que se imagina a nova prática, de modo a perceber parâmetros para esta mudança.
Forma x estrutura
O design tradicional era aquele que dava forma, preocupado apenas com aspectos visuais e teve muito valor quando não existia padrão visual algum. Na nova prática, o design deve ser visto também como algo de alcance muito maior, que se preocupa com a estrutura por baixo do visual. É importante considerar o design da informação, da interação e da navegação.
Verticalidade x horizontalidade
Em termos de educação, de formação, o design tradicional era baseado em disciplinas verticais, voltadas à resolução de problemas. O foco agora está na criação de soluções e para isso valoriza – se a interdisciplinaridade, o intercâmbio entre as mais variadas áreas de conhecimento.
Exclusivo x inclusivo
No design tradicional a cultura que existia era a do trabalho exclusivo, no qual apenas pares iguais participavam de todo o processo criativo. Na nova prática, adota – se a cultura da inclusão, com o intercâmbio de idéias de profissionais de várias áreas.
O que x como
O trabalho do design tradicional era baseado em grandes “o que” e pequenos “como”. A maior parte dos esforços despendidos nos projetos estava focada na definição do que seria feito. Uma vez definido o “o que”, gastava – se pouco tempo estabelecendo um roteiro para chegar a este objetivo. O resultado era invariavelmente um desvio do projeto original. A nova prática do design procura sempre estabelecer grandes “como” baseados em um “o que” definido previamente, ou seja, valoriza todo o processo e, por conseguinte, todos os profissionais envolvidos.
Mágico x transparente
O processo no design tradicional era interno, escondido e “mágico”. O resultado disso era um trabalho sem documentação, de difícil replicação e acompanhamento. O processo da nova prática é transparente, externo e visível. Ele é assim porque precisa ser, já que a transparência é primordial em um trabalho feito em paralelo e com pessoas de diferentes áreas.
Codificado x decodificado
A comunicação usada no design tradicional era extremamente complexa, codificada e ?tribal?. Na verdade esta é uma característica de outras áreas também, mas deve ser combatida. A comunicação ideal deve ser muito clara, decodificada, principalmente levando – se em conta o desejo de capacitar os designers em requisitos como liderança de equipes. O trabalho de um designer nesse sentido deve se parecer com o de um analista, alguém que deve saber traduzir as necessidades.
Problemas x oportunidades
No design tradicional, o foco dos processos estava na resolução de problemas, enquanto no design atual a resolução de problemas sempre está associada à geração de oportunidades. Com isso, o designer agora não deve focar no que o cliente ou usuário pediu, mas sim no que o cliente ou usuário precisa.
Pequeno x complexo
Os resultados obtidos por meio do design tradicional eram de pequenas dimensões, ao contrário das grandes e complexas tarefas da nova prática do design.
No novo design os desafios são enormes e as oportunidades são gigantescas. A hora da mudança é agora!
Marcos!
Me chamo Sandro Aluno de Design Gráfico (Faculdade de Estudos Avançados do Pará) e sou de Belém do Pará, e já tive oportunidade de trocar email com você você não deve lembra, enfim, muito legal o que acabei de ler sobre o design não trabalhar mais sozinho e outras citações que faz na verdade pensarmos se vamos nos fechar em nosso mundinho ou se vamos querer espandir conhecimentos a ponto de buscar outros profissionais de areas diferentes…muito bom o artigo..
PS: gostaria muito de um dia ter um artigo meu em sua pagina, pois tenho uma equipe muito interessada em estudos e estamos levantando um máterial tipografico da região e outras coisa mais .….um grande abraço Sandro Mitra!!