22/11/2007

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O desafio do designer é cada vez mais complexo

O desig­ner já não tra­ba­lha mais sozi­nho agora pre­cisa lidar com pla­ne­ja­mento, equi­pes inter­dis­ci­pli­na­res e ganhar ver­sa­ti­li­dade para tra­fe­gar por outras áreas de atuação.

Os desa­fios enfren­ta­dos pelo design no dia – a – dia estão mudando. Até ontem os desig­ners tra­ta­vam ape­nas de pro­ble­mas sim­ples e quase sem­pre da sua área. Hoje, cada vez mais, pre­ci­sam con­cen­trar todos seus esfor­ços em gran­des e com­ple­xos pro­ble­mas a serem resol­vi­dos e tra­ba­lha­dos em equi­pes interdisciplinares.

Pro­ces­sos line­a­res em que cada equipe é res­pon­sá­vel por ape­nas uma etapa do pro­jeto dei­xam de existir.

O tra­ba­lho de cri­a­ção tam­bém está mudando. Pro­ces­sos line­a­res em que cada equipe é res­pon­sá­vel por ape­nas uma etapa do pro­jeto dei­xam de exis­tir. Hoje os pro­je­tos são desen­vol­vi­dos em para­lelo e a cri­a­ção é feita simul­ta­ne­a­mente, o que exige um grau de pre­pa­ra­ção e pla­ne­ja­mento maior.

Mas para que esta mudança acon­teça, os requi­si­tos exi­gi­dos de cada pro­fis­si­o­nal tam­bém estão mudando. Tra­ba­lhar sozi­nho ou em uma equipe da mesma área de atu­a­ção era algo nor­mal. A rea­li­dade hoje exige um tra­ba­lho envol­vendo equi­pes das mais vari­a­das áreas, pro­fis­si­o­nais tra­ba­lhando remo­ta­mente, com dife­ren­tes idi­o­mas, em dife­ren­tes empre­sas e gru­pos envol­vi­dos no pro­cesso com níveis de res­pon­sa­bi­li­dade diferenciados.

Essas mudan­ças exi­gi­ram dos pro­fis­si­o­nais novas habi­li­da­des de lide­rança. No entanto, pode­mos notar que enquanto os pro­fis­si­o­nais de outras áreas bus­ca­ram se adap­tar a esta mudança, os desig­ners não!

Mas como dar aos desig­ners habi­li­da­des de lide­rança de equipes?

Vamos come­çar pela com­pa­ra­ção de alguns aspec­tos do design tra­di­ci­o­nal com o que se ima­gina a nova prá­tica, de modo a per­ce­ber parâ­me­tros para esta mudança.

Forma x estru­tura
O design tra­di­ci­o­nal era aquele que dava forma, pre­o­cu­pado ape­nas com aspec­tos visu­ais e teve muito valor quando não exis­tia padrão visual algum. Na nova prá­tica, o design deve ser visto tam­bém como algo de alcance muito maior, que se pre­o­cupa com a estru­tura por baixo do visual. É impor­tante con­si­de­rar o design da infor­ma­ção, da inte­ra­ção e da navegação.

Ver­ti­ca­li­dade x hori­zon­ta­li­dade
Em ter­mos de edu­ca­ção, de for­ma­ção, o design tra­di­ci­o­nal era base­ado em dis­ci­pli­nas ver­ti­cais, vol­ta­das à reso­lu­ção de pro­ble­mas. O foco agora está na cri­a­ção de solu­ções e para isso valo­riza – se a inter­dis­ci­pli­na­ri­dade, o inter­câm­bio entre as mais vari­a­das áreas de conhecimento.

Exclu­sivo x inclu­sivo
No design tra­di­ci­o­nal a cul­tura que exis­tia era a do tra­ba­lho exclu­sivo, no qual ape­nas pares iguais par­ti­ci­pa­vam de todo o pro­cesso cri­a­tivo. Na nova prá­tica, adota – se a cul­tura da inclu­são, com o inter­câm­bio de idéias de pro­fis­si­o­nais de várias áreas.

O que x como
O tra­ba­lho do design tra­di­ci­o­nal era base­ado em gran­des “o que” e peque­nos “como”. A maior parte dos esfor­ços des­pen­di­dos nos pro­je­tos estava focada na defi­ni­ção do que seria feito. Uma vez defi­nido o “o que”, gas­tava – se pouco tempo esta­be­le­cendo um roteiro para che­gar a este obje­tivo. O resul­tado era inva­ri­a­vel­mente um des­vio do pro­jeto ori­gi­nal. A nova prá­tica do design pro­cura sem­pre esta­be­le­cer gran­des “como” base­a­dos em um “o que” defi­nido pre­vi­a­mente, ou seja, valo­riza todo o pro­cesso e, por con­se­guinte, todos os pro­fis­si­o­nais envolvidos.

Mágico x trans­pa­rente
O pro­cesso no design tra­di­ci­o­nal era interno, escon­dido e “mágico”. O resul­tado disso era um tra­ba­lho sem docu­men­ta­ção, de difí­cil repli­ca­ção e acom­pa­nha­mento. O pro­cesso da nova prá­tica é trans­pa­rente, externo e visí­vel. Ele é assim por­que pre­cisa ser, já que a trans­pa­rên­cia é pri­mor­dial em um tra­ba­lho feito em para­lelo e com pes­soas de dife­ren­tes áreas.

Codi­fi­cado x deco­di­fi­cado
A comu­ni­ca­ção usada no design tra­di­ci­o­nal era extre­ma­mente com­plexa, codi­fi­cada e ?tri­bal?. Na ver­dade esta é uma carac­te­rís­tica de outras áreas tam­bém, mas deve ser com­ba­tida. A comu­ni­ca­ção ideal deve ser muito clara, deco­di­fi­cada, prin­ci­pal­mente levando – se em conta o desejo de capa­ci­tar os desig­ners em requi­si­tos como lide­rança de equi­pes. O tra­ba­lho de um desig­ner nesse sen­tido deve se pare­cer com o de um ana­lista, alguém que deve saber tra­du­zir as necessidades.

Pro­ble­mas x opor­tu­ni­da­des
No design tra­di­ci­o­nal, o foco dos pro­ces­sos estava na reso­lu­ção de pro­ble­mas, enquanto no design atual a reso­lu­ção de pro­ble­mas sem­pre está asso­ci­ada à gera­ção de opor­tu­ni­da­des. Com isso, o desig­ner agora não deve focar no que o cli­ente ou usuá­rio pediu, mas sim no que o cli­ente ou usuá­rio precisa.

Pequeno x com­plexo
Os resul­ta­dos obti­dos por meio do design tra­di­ci­o­nal eram de peque­nas dimen­sões, ao con­trá­rio das gran­des e com­ple­xas tare­fas da nova prá­tica do design.

No novo design os desa­fios são enor­mes e as opor­tu­ni­da­des são gigan­tes­cas. A hora da mudança é agora!

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  1. SandroMitra says:

    Mar­cos!

    Me chamo San­dro Aluno de Design Grá­fico (Facul­dade de Estu­dos Avan­ça­dos do Pará) e sou de Belém do Pará, e já tive opor­tu­ni­dade de tro­car email com você você não deve lem­bra, enfim, muito legal o que aca­bei de ler sobre o design não tra­ba­lhar mais sozi­nho e outras cita­ções que faz na ver­dade pen­sar­mos se vamos nos fechar em nosso mun­di­nho ou se vamos que­rer espan­dir conhe­ci­men­tos a ponto de bus­car outros pro­fis­si­o­nais de areas diferentes…muito bom o artigo..

    PS: gos­ta­ria muito de um dia ter um artigo meu em sua pagina, pois tenho uma equipe muito inte­res­sada em estu­dos e esta­mos levan­tando um máte­rial tipo­gra­fico da região e outras coisa mais .….um grande abraço San­dro Mitra!!

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