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Lógica Cerebral

Sim­ples + Belo = Cor­reto (será?)

Na Idade Média, artis­tas e eru­di­tos esta­vam con­ven­ci­dos de que o que era ver­da­deiro não podia ser feio. Antes disto esta idéia já era defen­dida por Pla­tão, na Gré­cia antiga, que dizia que a beleza não é ape­nas apa­rên­cia ilu­só­ria, mas deve ser­vir aos bons propósitos.

Essa idéia vem do fato de que con­si­de­ra­mos uma obra de arte ou uma peça musi­cal espe­ci­al­mente bela quando é fácil apreciá-la. Os psi­có­lo­gos deno­mi­nam esse fenô­meno “pro­ces­sing fluency”.

Isto explica mui­tas coi­sas! Essa fluên­cia do pro­ces­sa­mento da per­cep­ção está­tica explica, por exem­plo, por que espe­ci­a­lis­tas em música con­se­guem apre­ciar obras bas­tante com­pli­ca­das, enquanto o ouvinte medi­ano tem a ten­dên­cia de se ater às com­po­si­ções popu­la­res ou da moda.

Seguindo essa linha de raci­o­cí­nio, o gosto musi­cal indi­vi­dual (e pode­mos apli­car ao gosto por design, arte, etc) sur­gi­ria pelas dife­ren­ças trei­na­das na fluên­cia do pro­ces­sa­mento. Ou seja, pode­mos trei­nar a nossa per­cep­ção acerca do que é belo.

A teo­ria da fluên­cia pode ser apli­cada tam­bém à inves­ti­ga­ção dos moti­vos pelos quais a mente asso­cia beleza à verdade.

Assim como peças musi­cais sim­ples são mais apre­ci­a­das que as exces­si­va­mente com­ple­xas, enun­ci­a­dos de fácil pro­ces­sa­mento ten­dem a ser con­si­de­ra­dos mais complexos.

É aqui que assun­tos rela­ci­o­na­dos ao design (arqui­te­tura da infor­ma­ção, user expe­ri­ence, usa­bi­li­dade, etc) come­çam a fazer sentido!

Em um expe­ri­mento con­du­zido pelo pes­qui­sa­dor Rolf Reber (pro­fes­sor de psi­co­lo­gia bio­ló­gica da uni­ver­si­dade de ber­gen, Noru­ega) pediu-se que volun­tá­rios ava­li­as­sem a vera­ci­dade de algu­mas fra­ses. Algu­mas esta­vam escri­tas com cores páli­das, difí­ceis de serem vis­tas diante do fundo branco da tela do com­pu­ta­dor; outras, em cores for­tes, podiam ser reco­nhe­ci­das sem nenhum esforço. Se as sen­ten­ças eram facil­mente legí­veis (pro­ces­sa­das flu­en­te­mente) os par­ti­ci­pan­tes ten­diam a con­cor­dar com elas – inde­pen­den­te­mente de serem cor­re­tas ou não!

A fluên­cia aumenta a apa­rente vera­ci­dade, prin­ci­pal­mente quando o pro­ces­sa­mento é ines­pe­ra­da­mente fácil. Isso foi per­ce­bido quando os pes­qui­sa­do­res colo­ca­vam fra­ses difí­ceis de serem lidas antes de fra­ses bas­tante legí­veis. Esta faci­li­dade ines­pe­rada de lei­tura fazia com que as fra­ses legí­veis pare­ces­sem ainda mais verdadeiras.

Gosto pela organização

Estu­dan­tes uni­ver­si­tá­rios deviam ava­liar con­tas (como as da ima­gem abaixo), para dedu­zir se a adi­ção esteva cor­reta. Eles tinham menos de dois segun­dos para rea­li­zar esta tarefa, o que tor­nava por­tanto impos­sí­vel cal­cu­lar real­mente o que viam. Resul­tado: con­tas com pon­tos sime­tri­ca­mente orga­ni­za­dos (qua­dro da ima­gem) eram com mais frequên­cia con­si­de­ra­das cor­re­tas, mesmo quando esta­vam erra­das.

Os par­ti­ci­pan­tes deste expe­ri­mento se dei­xa­vam “cegar” pela ele­gân­cia. Apa­ren­te­mente eles jul­ga­vam a faci­li­dade de per­cep­ção e a har­mo­nia de uma ima­gem simé­trica como indí­cio de que a rela­ção mate­má­tica estava correta.

Mas como a fluên­cia de pro­ces­sa­mento, a beleza e a ver­dade se vin­cu­lam? Será que aquilo que é mais facil­mente per­ce­bido não ape­nas parece sem­pre mais bonito, mas tam­bém mais cor­reto? Ou será que as solu­ções que podem ser pro­ces­sa­das com maior fluên­cia podem sim­ples­mente ser per­ce­bi­das no iní­cio como harmô­ni­cas, desen­ca­de­ando sen­ti­men­tos posi­ti­vos, que influ­en­ciam o jul­ga­mento de sua correção?

O mate­má­tico fran­cês Henri Poin­caré rela­tou que a impres­são de beleza e ele­gân­cia de uma equa­ção mate­má­tica, por exem­plo, surge quando tudo “com­bina muito bem”.

Essa sen­sa­ção de coe­são viria do fato de coi­sas seme­lhan­tes serem mais facil­mente assi­mi­la­das em con­junto, pois con­cei­tos estão arma­ze­na­dos na memó­ria de longo prazo em cadeias.

Cada pala­vra que lemos, por exem­plo, ativa incons­ci­en­te­mente con­cei­tos asso­ci­a­dos a ela pelo seu con­teúdo. Assim sinô­ni­mos são pro­ces­sa­dos de maneira mais ágil.

É disto que a taxo­no­mia trata e por isto a impor­tãn­cia de uma aná­lise deste tipo em uma estru­tura de um site é tão importante.

Um exem­plo da cons­tru­ção dessa cadeia: ten­de­mos a con­cor­dar um pouco mais rápido com a frase “um sabiá é um pás­saro” que com a frase “um sabiá é um animal”.

Isso acon­tece por­que o con­ceito “sabiá” está arma­ze­nado em nossa memó­ria de forma vin­cu­lada ao con­ceito “pás­saro” e para cons­ta­tar que as aves são ani­mais a memó­ria pre­cisa de um passo a mais em seu tra­ba­lho mental.

A esco­lha de pala­vras, con­cei­tos, ima­gens “cor­re­tas” podem teo­ri­ca­mente fazer com que sejam lidas com maior fluên­cia por­que todas as idéias estão rela­ti­va­mente pró­xi­mas umas das outras na cadeia semântica.

Beleza e ver­dade tem, por­tanto, uma base comum: a fluên­cia de processamento!

leia mais sobre o assunto aqui (em alemão)

http://www.gehirn-und-geist.de/artikel/974899&_z=798884
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Designer com MBA em Administração da Tecnologia da Informação. Trabalha há mais de 6 anos na Dell onde atualmente gerencia uma equipe de 19 profissionais responsáveis pelo desenvolvimento web da empresa (responsável pelos segmentos Consumer e SMB dos Estados Unidos, Canadá, América Latina e Europa).
2 total comments on this postSubmit yours
  1. Olá Mar­cos Nahr,
    Muito bom esse artigo, real­mente tem tudo a ver.
    Parabéns

  2. Cara sen­sa­ci­o­nal, sem­pre pro­cu­rei este tipo de material.

    Espero que tenha mais con­teúdo sobre isso aqui no site.

    Para­béns…

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