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Design para pensar vs. o excesso de informação

Design para pensar vs. o excesso de informação

Nov 22, 2007

0 web­de­sign pre­cisa se revi­ta­li­zar para ser poten­ci­al­mente criativo.

Sus­peito, entre­tanto, que (Funes) não era muito capaz de pen­sar. Pen­sar é esque­cer dife­ren­ças, é gene­ra­li­zar, abs­trair.? (Funes, o Memo­ri­oso, Fic­ções, Jorge Luis Borges).

Recen­te­mente, lendo um livro sobre memó­ria me depa­rei com um comen­tá­rio sobre o conto Funes, O Memo­ri­oso, de Jorge Luis Borges.

A quan­ti­dade de deta­lhes e o excesso de infor­ma­ção dos sites atu­ais sufo­cam os usuários.

Neste conto Bor­ges des­creve um per­so­na­gem, Iri­neu Funes, que a par­tir de um certo momento da vida passa a con­tar com uma memó­ria per­feita, ou seja, tem a capa­ci­dade de lem­brar abso­lu­ta­mente tudo. Con­se­gue cap­tar os por­me­no­res de tudo que viven­cia, sendo capaz de relem­brar todos os deta­lhes, por mais insig­ni­fi­can­tes que pos­sam pare­cer. Podia relem­brar nos míni­mos deta­lhes um dia inteiro de sua vida, mesmo que para isto levasse outro dia inteiro, até o último segundo.

No entanto o que me cha­mou a aten­ção em Funes não foi sua mara­vi­lhosa capa­ci­dade de memo­ri­zar, mas sim sua ?inca­pa­ci­dade de esquecer?.

?Para pen­sar­mos pre­ci­sa­mos neces­sa­ri­a­mente gene­ra­li­zar, e para tal é neces­sá­rio esque­cer?. (A Memó­ria de Bor­ges, Vir­gí­lio Fer­nan­des Almeida).

Tra­zendo este relato para o mundo do design, nos damos conta de que a inter­net está cada vez mais pare­cida com Funes. A quan­ti­dade de deta­lhes e o excesso de infor­ma­ção dos sites atu­ais sufo­cam os usuá­rios. A mai­o­ria dos sites atu­ais oprime e con­funde, tor­nando as infor­ma­ções des­con­tí­nuas e fragmentadas.

?Sus­peito, con­tudo, que (Funes) não era capaz de pen­sar… No mundo abar­ro­tado de Funes não havia senão deta­lhes…? (Funes, o Memo­ri­oso, Fic­ções, Jorge Luis Borges).

Os web­de­sig­ners pre­ci­sam se dar conta de que não pre­ci­sam ?mos­trar tudo? para os usuá­rios, abar­rotá – los de infor­ma­ções e deta­lhes, já que estes serão esque­ci­dos com a mesma faci­li­dade com a qual foram percebidos.

?… (o homem) acaba por arras­tar con­sigo, por toda a parte, uma quan­ti­dade des­co­mu­nal de pedras indi­ges­tas de saber, que ainda, oca­si­o­nal­mente, ron­cam na bar­riga…?
(Con­si­de­ra­ções Extem­po­râ­neas, Nietzsche)

A memó­ria do homem é natu­ral­mente sele­tiva. Os seres huma­nos pos­suem uma capa­ci­dade incrí­vel de ver o mundo, com­ple­ta­mente dife­rente do modo com o qual Funes o fazia. Temos até a capa­ci­dade de olhar­mos em alguma dire­ção e ver o que não está lá.

Nada se asse­me­lha mais ao pen­sa­mento humano do que o hiper­link. Nele, con­tra­ri­a­mente do modelo cumu­la­tivo de Funes, ape­nas conec­ta­mos, cru­za­mos, escor­re­ga­mos, navegamos.

O web­de­sign pre­cisa se revi­ta­li­zar neste sen­tido, ser poten­ci­al­mente cri­a­tivo, envolto num véu de mis­té­rio, de vita­li­dade, de força, de ilu­são neces­sá­ria, de cegueira, de parcialidade.

O web­de­sign pre­cisa vol­tar a fazer o usuá­rio pensar!

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