04/12/2007

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Design híbrido: físico e digital

Design híbrido: físico e digital

Outro dia estava numa livra­ria pen­sando nas dife­ren­ças entre com­pras on-line e no mundo real.

 
Não estava pen­sando exclu­si­va­mente nas faci­li­da­des do mundo on-line de se com­pa­rar pre­ços e pes­qui­sar em dife­ren­tes livra­rias on-line, mas estava pen­sando basi­ca­mente na expe­ri­ên­cia qua­li­ta­tiva por trás des­tas interações.

Inven­tar novas manei­ras de “remi­xar” ele­men­tos, man­tendo os usuá­rios feli­zes e satis­fei­tos, é o que estas novas tec­no­lo­gias devem se pre­o­cu­par em fazer.

Quando se fala em design agre­gando valor a algum pro­duto, ser­viço, inter­face, é pre­ciso ter a cla­reza que ele terá o efeito dese­jado quando pas­sar a aten­der os níveis mais altos da pirâ­mide (pro­fi­ci­ên­cia e cri­a­ti­vi­dade). Mas até che­gar a estes níveis, os pri­mei­ros devem neces­sa­ri­a­mente ser atendidos.

Segu­rar um livro e folhear suas páginas.

Existe algo espe­cial nesta expe­ri­ên­cia física que não pode ser subs­ti­tuída por Ajax, Flash ou Sil­ver­light. Ao menos para aque­les (meu caso) que pri­meiro apren­de­ram a lidar com o mundo físico e depois conhe­ce­ram o mundo digital.

Mas todos con­cor­da­mos que com a velo­ci­dade com que tudo “vai para den­tro do com­pu­ta­dor”, não vai demo­rar muito para que surja uma gera­ção que não terá a opor­tu­ni­dade de com­prar um livro em uma livra­ria como nós faze­mos hoje.
Hoje em dia o que per­ce­be­mos é uma série de ten­ta­ti­vas de se pas­sar coi­sas e con­cei­tos do mundo físico que nos são fami­li­a­res sendo leva­das para o mundo on-line.

Vamos pen­sar em algu­mas des­tas ten­ta­ti­vas e ana­li­sar o que fun­ci­ona e o que não funciona.

Nosso pri­meiro exem­plo é o catá­logo on-line da Dell Com­pu­ta­do­res nos Esta­dos Uni­dos.
Esta é uma “publi­ca­ção” men­sal, com os lan­ça­men­tos e pro­mo­ções em des­ta­que. O site é imple­men­tado em flash e com­bina ele­men­tos tra­di­ci­o­nais de uma revista com solu­ções digi­tais ino­va­do­ras que pro­du­zem uma expe­ri­ên­cia nova aos usuá­rios.
Ele real­mente parece um catá­logo real, pela sua forma e pela pos­si­bi­li­dade de folhear pelas pági­nas.
O catá­logo dis­po­ni­bi­liza uma mis­tura de con­teúdo está­tico e inte­ra­tivo. O con­teúdo parece o que você encon­tra­ria em um típico catá­logo da empresa, mas ele agrega ele­men­tos de inte­ra­ti­vi­dade.
O fato desta imple­men­ta­ção uti­li­zar ele­men­tos do mundo físico é inte­res­sante, mas o que mais impres­si­ona é a adi­ção natu­ral e intui­tiva de ele­men­tos inte­ra­ti­vos, somente pos­sí­vel no mundo digital.

Muito antes de a Dell adi­ci­o­nar uma sen­sa­ção de “mundo real” ao seu catá­logo ele­trô­nico, pes­qui­sa­do­res já faziam o oposto — tra­zer a sen­sa­ção digi­tal para um dos nos­sos obje­tos mais conhe­ci­dos e apre­ci­a­dos, o papel.
O papel eletrônico,ou e-paper, come­çou a ser desen­vol­vido por volta de 1970 na Xerox.
De acordo com a wiki­pe­dia, as futu­ras apli­ca­ções incluem livros e-paper — capa­zes de agru­par ver­sões digi­tais de vários livros, com um deles sendo mos­trado na tela de cada vez.
Quando isto acon­te­cer em uma escala comer­cial, nós vamos folhear um livro digi­tal e tam­bém inte­ra­gir com ele como inte­ra­gi­mos hoje em uma página da web, usando gestos.

Isto nos leva para o pró­ximo capí­tulo na cor­rida para mes­clar o físico e o digi­tal — o iPhone.
A Apple tem se mos­trado como uma das empre­sas de ponta no aspecto rein­ven­ção. Eles se rein­ven­ta­ram com o iPod e pare terem con­se­guido nova­mente com o iPhone.
A mai­o­ria de nós não pode ainda expe­ri­men­tar a tec­no­lo­gia multi touch do iPhone ou do recém lan­çado iPod Touch, mas ao que parece a Apple lan­çou no mer­cado uma maneira real­mente nova de se inte­ra­gir com as infor­ma­ções digi­tais. Uma das dis­po­si­ções da Apple é jus­ta­mente rede­fi­nir nossa expe­ri­ên­cia digi­tal, fazendo com que obje­tos digi­tais pare­çam e se com­por­tem como seus “pri­mos” do mundo físico.
Isto não sig­ni­fica pro­me­ter uma inter­face com o usuá­rio e um objeto para se brin­car, sig­ni­fica criar coi­sas tão intui­ti­vas quanto aque­las do mundo real.

Ten­tar mes­clar e recon­ci­liar nos­sas expe­ri­ên­cias nos mun­dos digi­tal e físico não é algo fácil e tri­vial. Mui­tas tec­no­lo­gias estão ten­tando crciar uma com­bi­na­ção que pro­duza uma expe­ri­ên­cia do usuá­rio ao mesmo tempo con­sis­tente, sim­ples, mas rica.
Como os obje­tos no mundo real obe­de­cem às leis da física e os ob jetos no mundo digi­tal obe­de­cem… pelo menos as leis do bom design, as leis dos híbri­dos ainda não foram total­mente for­mu­la­das.
A chave do sucesso é garan­tir que este mix entre físico e digi­tal não con­funda o usuá­rio. Quando se usa algum ele­mento que se uti­lize deste mix, ele deve se com­por­tar da maneira que se espera que ele se com­porte. Inven­tar novas manei­ras de “remi­xar” ele­men­tos, man­tendo os usuá­rios feli­zes e satis­fei­tos, é o que estas novas tec­no­lo­gias devem se pre­o­cu­par em fazer.

texto tam­bém dis­po­ní­vel no site webin­si­der

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