falando sobre design, tecnologia e o mundo web

Atributos de um designer moderno

Atributos de um designer moderno

Nov 22, 2007

Uma das melho­res defi­ni­ções de design grá­fico que já ouvi é esta da desig­ner Jes­sica Helfand:

“Design grá­fico é uma lin­gua­gem visual que une har­mo­nia e equi­li­brio, cor e luz, escala e ten­são, forma e con­teúdo. Mas é tam­bém uma lin­gua­gem ide­o­má­tica, uma lin­gua­gem de sím­bo­los e alu­sões, de refe­rên­cias cul­tu­rais e infe­rên­cias per­cep­tu­ais que desa­fiam tanto o inte­lecto quanto o olhar”

Se você não esti­ver cons­tan­te­mente absor­vendo o que existe ao seu redor, você nunca sera um bom designer.

A pri­meira parte é um sumá­rio con­ven­ci­o­nal do design grá­fico, com o qual todos con­cor­da­mos. Mas a segunda parte é mais densa: ela trata do design como uma força expres­siva e deixa claro que a cons­ci­ên­cia cul­tu­ral é tão impor­tante para um desig­ner quanto suas as habi­li­da­des téc­ni­cas ou qua­li­fi­ca­ções acadêmicas.

Ao ser ques­ti­o­nado sobre sua téc­nica de cri­a­ção, se fazia pes­qui­sas espe­cí­fi­cas para escre­ver cada um de seus livros, o escri­tor inglês Iain Sin­clair res­pon­deu: “…minha vida é uma grande pes­quisa“. Não con­sigo pen­sar em nada mais apro­pri­ado para um desig­ner grá­fico. Se você não esti­ver cons­tan­te­mente absor­vendo o que existe ao seu redor, você nunca sera um bom designer.

Dizem que os arrom­ba­do­res de cofre esfre­gam a ponta dos dedos com lixas para aumen­tar a sen­si­bi­li­dade tác­til. Isto deixa a ponta dos dedos super sen­sí­veis e faz com que eles con­si­gam sen­tir as nuan­ces do meca­nismo que abre o cofre. O mesmo vale para o design grá­fico: quanto mais sen­sí­vel você se tor­nar em rela­ção ao mundo ao seu redor, melhor sera a sua res­posta (cri­a­tiva) em rela­ção a este mundo. Isto sig­ni­fica estu­dar o design em todas as suas mani­fes­ta­ções con­tem­po­rã­neas e tam­bém a his­tó­ria do design e das artes visu­ais em geral, mas tam­bém quer dizer conhe­cer o mundo além do design gráfico.

As vezes os desig­ners ima­gi­nam que o mundo gira ao redor do design grá­fico, espe­ci­al­mente quando se tra­ba­lha com isto mais de 14 horas por dia. Mas ele não gira! Os bons desig­ners, em sua mai­o­ria, tem inte­res­ses pes­so­ais que vão muito além do design grá­fico. O design pode até ser a sua pre­o­cu­pa­ção maior, mas ele não deixa de ter outros interesses.

OK, mas afi­nal, como isto me ajuda a ser um bom desig­ner gráfico?

A coisa mais impor­tante quando você esti­ver dis­cu­tindo um tra­ba­lho com um novo e poten­cial cli­ente é demons­trar conhe­ci­mento, aber­tura e recep­ti­vi­dade. O desig­ner que demons­tra ape­nas sinais de soberba e res­tri­ção de foco de atu­a­ção não vai ins­pi­rar o seu cli­ente. Isto parece óbvio, mas é sur­pre­en­dente a quan­ti­dade de desig­ners que usam as reu­niões com cli­ents para falar sobre si mes­mos e seu tra­ba­lho. Esses são os mes­mos desig­ners que recla­mam mais tarde que o seu tra­ba­lho é fre­quen­te­mente rejei­tado ou que eles nunca podem fazer o que eles que­rem. Estes desig­ner são cul­pa­dos do pior crime que um desig­ner grá­fico pode come­ter: auto-suficiencia e visão estreita da rea­li­dade. Para o desig­ner com ambi­ções, issas duas coi­sas são fatais!

Se você puder demons­trar algum conhe­ci­mento sobre o campo de atu­a­ção do seu cli­ente, se você con­se­guir falar sobre o pro­jeto com tran­qui­li­dade e se você ouvir mais ao invés de só falar sobre si mesmo, você vai se impres­si­o­nar com a recep­ti­vi­dade do seu novo cli­ente sobre suas idéias. Parece um para­doxo, mas quanto menos você emba­sar o rela­ci­o­na­mento cliente/designer sobre você pró­prio, mais sucesso você terá.

Além de pos­suir refe­rên­cias cul­tu­rais e ter conhe­ci­mento do mundo além do design grá­fico, um bom desig­ner tam­bém pre­cisa se comu­ni­car bem. Isto não é o mesmo que saber fazer dis­cur­sos elo­quen­tes, mas se refere à habi­li­dade de saber falar sobre o seu tra­ba­lho, espe­ci­al­mente com cli­en­tes e com quem não é desig­ner, de maneira coe­rente, con­vin­cente e obje­tiva, sem se uti­li­zar da mesma lin­gua­gem que você cos­tuma usar com outros desig­ners. E como a comu­ni­ca­ção é uma via dupla, isto sig­ni­fica tam­bém saber ouvir. O design grá­fico pre­cisa comu­ni­car uma idéia sem o uso de comen­tá­rios (escri­tos ou fala­dos) que des­cre­vam suas inten­ções: você não pode ficar ao lado de um web­site, por exem­plo, cha­mando a aten­ção das pes­soas que que entrem no site e expli­cando para cada usuá­rio como você uti­li­zou os grids para criar uma noção de con­junto, pode? Ape­sar disso, os desig­ners pre­ci­sam das pala­vras, espe­ci­al­mente quando estão apre­sen­tando um novo projeto.

Con­ven­cer o seu cli­ente de que suas idéias são cor­re­tas e de que o dinheiro dele está sendo bem gasto requer argu­men­tos muito bem formulados.

Uma boa téc­nica para desen­vol­ver a habi­li­dade ver­bal é des­cre­ver o que você criou sem mos­trar o tra­ba­lho. Tente des­cre­ver com a maior quan­ti­dade de deta­lhes pos­sí­vel, de tal modo que não seja neces­sá­rio ver o tra­ba­lho para enten­der o que você projetou.

E lembre-se: a maneira como um desig­ner apre­senta suas idéias é tão ou mais impor­tante que as pró­prias ideias. Quando uma idéia é rejei­tada, mui­tas vezes é a apre­sen­ta­ção que está sendo rejei­tada e não a idéia em si.

Arti­gos relacionados:

3 comments

  1. Thiago Reis /

    Atri­bu­tos de um desig­ner CONTEMPORÂNEO acho que fica bem melhor…

  2. Ricardonerd /

    “… um deig­ner pre­cisa se comu­ni­car bem…“
    tá aí o pri­meiro desafio.

  3. thiago silva de souza /

    ola, o que vc con­si­dera como deve­res do web desig­ner? estou com­ne­çamdo o curso e que­ria uma opnião.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Diogo Rodrigues - Atributos de um designer moderno: http://www.marcosnahr.com.br/atributos-de-um-designer-moderno/
  2. marcella sarah - Atributos de um designer moderno. #refletir http://bit.ly/aeosY1

Leave a Reply

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes