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A crise também afetou o design?

A crise também afetou o design?

Jan 6, 2009

Noti­ciá­rios, deba­tes, retros­pec­ti­vas, pre­vi­sões para 2009, todos estão falando da mesma coisa: A Crise Econômica.

Ainda bem que esta crise só tem rela­ção com a eco­no­mia. O design está livre disto… Será?

Sabe­mos que não é ver­dade. Com cer­teza você conhece alguém (parente, amigo ou conhe­cido que per­deu emprego, ou ainda uma agên­cia (quem sabe onde você tra­ba­lha) que per­deu um grande cliente.

Não adi­anta, a crise res­pin­gou em todos. Em alguns mais do que outros, mas vamos todos sen­tir seus refle­xos não só em 2009, mas pelos pró­xi­mos anos.

 

A boa notí­cia é que, pare­cido com o que acon­te­ceu durante o estouro da bolha da web em 2000, esta crise vai pas­sar e vai tra­zer mui­tos ensi­na­men­tos

 

Vários enten­di­dos já iden­ti­fi­cam esta como uma crise de con­fi­ança, muito mais do que uma crise econô­mica. Então um des­tes ensi­na­men­tos é o de que desig­ners e cli­en­tes pre­ci­sam se enten­der. E por­que isto é tão impor­tante? Sim­ples­mente por­que um rela­ci­o­na­mento ruim gera des­per­dí­cio de tempo e prin­ci­pal­mente de DINHEIRO!

Assis­tindo a um vide­o­cast gra­vado durante o Future of Web Design 2008 sobre como a rela­ção entre as agên­cias digi­tais e os cli­en­tes está com­pli­cada, me dei conta de que este é um ponto fun­da­men­tal a ser tra­ba­lhado neste momento de crise.

Na mai­o­ria das vezes um pro­jeto dá errado não por culpa de pro­ble­mas com o pro­jeto, mas em fun­ção do rela­ci­o­na­mento pro­ble­má­tico entre o cli­ente e o designer.

Para mini­mi­zar estes pro­ble­mas e fazer com que tanto desig­ners quanto cli­en­tes tra­ba­lhem melhor em con­junto, exis­tem três prin­cí­pios que podem ser ado­ta­dos ao se geren­ciar um pro­jeto de sucesso:

1. Res­peito mútuo

2. Par­ce­ria bem definida

3. Ati­tude positiva

 

Aprenda a res­pei­tar

Você já deve ter cha­mado seu cli­ente de várias nomes que não podem ser publi­ca­das aqui. Existe um sen­ti­mento entre os desig­ners de que os cli­en­tes não enten­dem nada e isto só atra­vanca o desen­vol­vi­mento dos projetos.

Os cli­en­tes são uma parte chave do pro­cesso e pos­suem um conhe­ci­mento ines­ti­má­vel. O cli­ente tem uma visão melhor sobre os seus obje­ti­vos de negó­cio e sobre o público alvo. Ele sabe o que quer atin­gir com o web­site e é aquele que vai ter de con­vi­ver com o resul­tado do pro­jeto por muito tempo.

O cli­ente é o res­pon­sá­vel pelo con­teúdo, seu defen­sor, seu admi­nis­tra­dor e muito mais. Ele é a força por trás do web­site e deve ter o res­peito do designer.

Por outro lado, res­peito é uma via de mão dupla e sabe­mos que os cli­en­tes com freqüên­cia não valo­ri­zam os desig­ners. Os cli­en­tes cos­tu­mam redu­zir o papel do desig­ner. Eles que­rem deci­dir as coi­sas por você, igno­rando com­ple­ta­mente toda a sua expe­ri­ên­cia pré­via neste ramo. Todos têm alguma opi­nião sobre design, mas design não tem a ver com opi­niões pes­so­ais. Design se baseia em regras fun­da­men­tais de layout, tipo­gra­fia, teo­ria das cores e muito mais. É você, desig­ner, quem tem expe­ri­ên­cia nes­tas áreas e o cli­ente pre­cisa res­pei­tar isto.

 

Defina as fron­tei­ras desta rela­ção

Esta falta de res­peito mutua surge com freqüên­cia pelo fato de os dois lados não enten­de­rem os papeis do outro.

Tanto o desig­ner quanto o cli­ente tem expec­ta­ti­vas em rela­ção ao seu papel e ao do outro em um pro­jeto e estas expec­ta­ti­vas nor­mal­mente não são com­par­ti­lha­das. Se um cli­ente nunca par­ti­ci­pou de um pro­jeto web antes, ele pro­va­vel­mente vai se intro­me­ter nas res­pon­sa­bi­li­da­des do desig­ner ou, pior ainda, dei­xar de aten­der suas pró­prias obrigações.

Ao ini­ciar um pro­jeto, preocupe-se em esta­be­le­cer as fron­tei­ras do rela­ci­o­na­mento entre o cli­ente e os outros pro­fis­si­o­nais. O papel do cli­ente, em par­ti­cu­lar, deve ser defi­nido com bas­tante clareza.

Os cli­en­tes devem se pre­o­cu­par com três coisas:

Os obje­ti­vos do negó­cio – O cli­ente entende os obje­ti­vos do negó­cio asso­ci­a­dos ao pro­jeto. Em fun­ção disto eles devem estar cons­tan­te­mente ques­ti­o­nando se o design asse­gura que estes obje­ti­vos sejam alcan­ça­dos e se acha­rem que não, devem dizer onde acre­di­tam que os obje­ti­vos não estão sendo atingidos.

As neces­si­da­des dos usuá­rios – Um bom cli­ente deve ter uma boa noção em rela­ção ao com­por­ta­mento e carac­te­rís­ti­cas do seu público alvo. O cli­ente (você já deve ter ouvido isto, eu sei…) deve basear os seus comen­tá­rios sobre o design do site não em seus gos­tos pes­so­ais, mas sim base­ado no con­texto onde o seu público alvo está inse­rido. Dica para você desig­ner: não per­gunte para o cli­ente o que ele acha do design, mas sim como ele acha que o público alvo vai rea­gir a este design!

Pro­ble­mas e não solu­ções – Mui­tos cli­en­tes se aven­tu­ram ten­tando achar solu­ções para seus pro­ble­mas ao invés de dizer ao desig­ner qual é o pro­blema entrando, assim, no ter­ri­tó­rio que é do designer.

 

Cons­trua uma ima­gem posi­tiva

Lembre-se, não é só o que você fala, mas como você fala!

Tanto desig­ners quanto cli­en­tes vêem o outro como uma bar­reira. Desig­ners acre­di­tam que os pro­je­tos anda­riam mais tran­qui­la­mente sem as obje­ções do cli­ente. Cli­en­tes vêem os desig­ners como uma pre­sença nega­tiva, sem­pre des­de­nhando idéias e sugestões.

Evite dizer “não”. Isto acaba levando ao con­fronto e impede que o pro­blema seja iden­ti­fi­cado e tratado.

Mas então você deve fazer tudo que o cli­ente pedir? Claro que não! O que você deve fazer é pas­sar para o cli­ente o máximo de infor­ma­ções até que ele per­ceba que a suges­tão que ele deu não é a mais indi­cada neste momento.

O desig­ner não é a cabeça do pro­jeto, mas pode ser o pes­coço, ou seja, pode virar a cabeça para onde qui­ser e fazer com que ela pense que está no comando! Dica: Ao invés de dizer “Não”, diga: “Sim, nós pode­ría­mos fazer isto, mas…” e aí expli­que as con­seqüên­cias desta sugestão.

Volte a sua infân­cia e use a pode­rosa arma cha­mada: “porque?”

Mui­tas vezes uma idéia do cli­ente pode pare­cer ridí­cula num pri­meiro momento, mas se você enten­der a razão por trás desta suges­tão pode ser capaz de pro­por uma alter­na­tiva que dei­xará todos felizes.

Uma boa rela­ção entre desig­ner e cli­ente não é uma ciên­cia exata. É apren­dida na prá­tica e tro­cando expe­ri­ên­cias com cole­gas. Faça isto!

Artigo publi­cado na revista Web­De­sign da Arteccom.

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