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Por que os clientes não clicam no seu banner?

Por que os clientes não clicam no seu banner?

Jan 22, 2008

Por que às vezes igno­ra­mos os banners?

Nosso cére­bro, base­ado em expe­ri­ên­cias pré­vias, ela­bora mode­los cog­ni­ti­vos e des­con­si­dera ele­men­tos irre­le­van­tes em sua busca por informação.

No mundo das inter­fa­ces grá­fi­cas digi­tais, uma forma de agno­sia visual foi iden­ti­fi­cada e vem sendo estu­dada. Esta cegueira é conhe­cida como “ban­ner blind­ness”.

“Se o caso fosse de agno­sia, o paci­ente esta­ria vendo agora o que sem­pre tinha visto, isto é, não teria ocor­rido nele qual­quer dimi­nui­ção da acui­dade visual, sim­ples­mente o cére­bro ter – se – ia tor­nado inca­paz de reco­nhe­cer uma cadeira onde esti­vesse uma cadeira… teria per­dido a capa­ci­dade de saber que sabia…”

Por que às vezes igno­ra­mos os banners?

Em seu livro Ensaio Sobre a Cegueira, José Sara­mago cita a exis­tên­cia desta doença atí­pica da visão que, ape­sar de ser asso­ci­ada aos olhos, é na ver­dade um caso neurológico.

Nós ima­gi­na­mos que o mundo visual nos é dado pela sim­ples infor­ma­ção que chega até nos­sos olhos. No entanto, qual­quer conhe­ci­mento do mundo que nos cerca implica em uma cons­tru­ção de sen­tido, ou seja, tudo que nos é apre­sen­tado pre­cisa ser repre­sen­tado. Esta cons­tru­ção de sen­tido implica uma trans­for­ma­ção de ele­men­tos insig­ni­fi­can­tes em obje­tos car­re­ga­dos de sig­ni­fi­cado cultural.

Este nosso des­co­nhe­ci­mento, até mesmo entre os pro­fis­si­o­nais que tra­ba­lham com design, é um tanto intri­gante, pelo sim­ples fato de viver­mos em um mundo cer­cado por obje­tos. Pas­sa­mos nossa vida iden­ti­fi­cando, clas­si­fi­cando, usando e jul­gando obje­tos, cri­ando sen­tido para tudo que nos rodeia.

No mundo das inter­fa­ces grá­fi­cas ele­trô­ni­cas, uma forma de agno­sia visual foi iden­ti­fi­cada e vem sendo estu­dada. Esta cegueira conhe­cida como ban­ner blind­ness ou “cegueira de ban­ner” é des­crita como uma ten­dên­cia que os usuá­rios tem de sim­ples­mente igno­rar algu­mas for­mas, cores, padrões e tudo que fique rela­ti­va­mente pró­ximo. Nes­tes casos pre­sen­cia – se uma inca­pa­ci­dade de se reco­nhe­cer o que se está vendo.

Pode­mos dizer que nes­tes casos vemos o real, mas não vemos a sua representação.

Isto acon­tece por­que o nosso cére­bro, base­ado em expe­ri­ên­cias pré­vias, ela­bora mode­los cog­ni­ti­vos e passa a igno­rar ele­men­tos que con­si­dere irre­le­van­tes em sua busca por informação.

Niel­sen, o “Papa da Usa­bi­li­dade” nos dá algu­mas dicas para evi­tar o ban­ner blind­ness como usar no máximo três ban­ners por página entre outras coi­sas. Vários outros auto­res seguem esta mesma linha de raciocínio.

Mas será que isto é o sufi­ci­ente para curar esta “cegueira”?

Acre­dito que o remé­dio para esta agno­sia visual não está na quan­ti­dade de ban­ners colo­ca­dos nos sites e tal­vez nem na sua forma, como apre­goam alguns autores.

Exem­plos de manei­ras de bur­lar for­mas de agno­sia (visual ou até mesmo audi­tiva) já exis­tem em outras mídias, como na tele­vi­são, por exem­plo, onde anún­cios são inse­ri­dos entre tex­tos jor­na­lís­ti­cos, trans­fe­rindo toda a carga de valor da notí­cia para a pro­pa­ganda e com isto fazendo com que o espec­ta­dor fique atento no momento da men­sa­gem comercial.

Não quero aqui tra­tar da ques­tão ética deste tipo de ati­tude, mas sim demons­trar a impor­tân­cia de se conhe­cer as fer­ra­men­tas de comu­ni­ca­ção do meio em que tra­ba­lha­mos, a inter­net, e todas as poten­ci­a­li­da­des desta linguagem.

“Os limi­tes da lin­gua­gem sig­ni­fi­cam os limi­tes do meu mundo”. Ludwig Witt­gens­tein

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One comment

  1. Mar­cos, base­ado nesse teu artigo, lem­bro um artigo no Código de Ética dos Jor­na­lis­tas que diz que quando um anún­cio é feito na forma de notí­cia (como por exem­plo o blog Brains­torm #9 faz) ele deve ser indi­cado como anún­cio publi­ci­tá­rio, ou informe publi­ci­tá­rio, obri­ga­to­ri­a­mente e de forma visí­vel.
    Acho que dessa forma se ins­ti­tu­ci­o­na­liza uma “cen­sura” ao infor­mante, que pode­ria usu­fruir da cre­di­bi­li­dade do veí­culo na venda da sua idéia.
    Se tal­vez os ban­ners fos­sem colo­ca­dos em forma e dis­tri­bui­ção dife­rente na página, cha­ma­riam mais aten­ção e sai­riam do “ponto cego” real­mente.
    =)
    Muito legal essa tua pros­pec­ção sobre os banners.

    Drika.

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