Feb 23, 2010
O design precisa de referências de outras áreas do conhecimento.
Este texto procura fazer isso, mesmo que de forma superficial, ao traçar um pequeno paralelo entre o universo semântico das narrativas fantásticas e a sintaxe visual do design gráfico em mídias eletrônicas.
A eficácia psíquica da estrutura narrativa nos contos clássicos segue um padrão e um modelo que pode ser também utilizado no design.
Estima – se que no século IX d.C. começaram a ser escritos os contos árabes “Les Mille et Une Noits”, reunidos e traduzidos para a cultura ocidental por Antoine Galland no século XVII. Essa obra é composta de 12 volumes e apresenta um encadeamento contínuo de histórias, isto é, uma história contém outra história, que por sua vez contém outra e assim por diante.
Pode – se dizer que foi uma das primeiras obras a utilizar, de forma consistente, links em um documento, ou seja, o primeiro hipertexto.
A narrativa de “As Mil e Uma Noites” é impessoal e, portanto, típica de uma narrativa pura e as personagens são apresentadas apenas como modelos de estados mentais, completamente transparentes e vazias, prontas para servirem de veículo para uma idéia.
A medida em que o usuário vai entrando na malha do website todos os demais conteúdos à sua volta serão tomados, por efeito de comparação, como produtos inquestionáveis da realidade. Ícones, menus, estruturas de textos e navegação, tudo deve ser assimilado pelo usuário, criando um modelo mental que seja reconhecido por ele e aceito como verdadeiro, algo com o qual ele não precise lutar, mas com o qual possa interagir.
Plantar a semente da dúvida ou da suspeita naquele que lê é condição necessária da literatura fantástica, é o que faz com que o leitor vá adiante.
O design, do mesmo modo, deve seguir uma estrutura semelhante aquela usada nas narrativas fantásticas, conduzindo o usuário serenamente através do novo e diferente mundo que a ele é apresentado. Deixá – lo curioso, ávido por mais informação, ávido por seguir adiante.
No comments
Trackbacks/Pingbacks